A evolução é que nem sua mãe te dizendo pra levar o guarda-chuva: você pode até achar que não precisa mais disso, mas ela costuma acertar. Os seus pés, por exemplo, foram muito bem cuidados pela seleção natural, de modo que os tênis de corrida e seus super amortecedores, no final das contas, fazem mais mal do que bem (estou falando das suas articulações, não garanto nada sobre medalhas olímpicas). O vídeo acima é muito persuasivo e didático, e lá pelas tantas o Prof. Lieberman diz algo como “sério que você achou que em 30 anos [os tênis foram inventados em meados da década de 70] ia fazer melhor do que a seleção natural em vários milhões?”.
Mas, verdade seja dita, por mais que a evolução se esforce, ela nem sempre pode aspirar à perfeição. Às vezes ela entra em uns di
lemas tipo “quadril pequeno ou cérebro grande?”. Para você ser um bípede eficiente precisa (entre outras muitas coisas) ter uma pelve estreita, que permita manter seus joelhos e pés diretamente abaixo do centro de gravidade do seu corpo. Pelo que eu entendo, isso diminui o gasto de energia muscular para te manter estável de pé e pra sobrecarregar menos os joelhos quando você se movimenta. (Mas não sou nem um pouco expert em biomecânica, então não acredite em mim, acredite neles). Pra termos um cérebro grande, precisamos de cabeças grandes; para sermos bípedes eficientes, precisamos de quadris estreitos. Isso evidentemente é um problema, visto que para vir ao mundo uma cabeça grande precisa passar por um quadril pequeno. As chances disso dar errado devem ter sido suficientes para a seleção natural nos levar para o caminho da cabeça grande-pelve grande, e nos transformar em bípedes inteligentes com dores pelo corpo (a minha lombar, nesse exato momento, está me matando).
Toda essa história de origem do bipedalismo (ou bipedia) é controversa, e cada vez que acham um esqueleto novo lá na África um monte de certezas vão por terra. O que eu queria dizer mesmo é muito simples: com tantos bugs biomecânicos nesse nosso corpinho, foram inventar de mexer justo na parte que funciona – o pé? They just did it.
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Foot strike patterns and collision forces in habitually barefoot versus shod runners. Daniel Lieberman et al. Nature, 28 January 2010.
ok, a gente até pode correr melhor, mas o mundo aí fora não é tão lisinho e sem ameaças pontiagudas como uma esteira, não é mesmo?
“yeah. AIDS needles… I hit those all the time lol”
(Um dos comentários na página desse vídeo no youtube, hehe)
Falando sério, tem muitos comentários lá de gente que começou a correr de pé descalço e que diz que tem menos coisas pontudas do que a gente costuma imaginar. Mas como eu JAMAIS sairia por aí sem sapato (até grama me dá aflição, que dirá andar na rua!!!!!), li que tem um negócio que chama “vibram fivefingers shoes” (http://www.vibramfivefingers.com), que aparentemente une os benefícios de andar descalço com a higiene da civilização moderna. Até eu, que não posso correr, pensei em comprar um, huahuahua!!!
E por falar em correr, se alguém puder me doar um par de joelhos em bom estado de conservação, eu agradeço.