
As duas primeiras simpáticas palavrinhas do título são gregas e significam azul claro e azul escuro. Enquanto nós, assim como os ingleses, agrupamos esses dois tons sob o nome de azul, os gregos têm nomes diferentes para eles. A pergunta que segue é: e isso faz alguma diferença?
Faz. Ou pelo menos foi isso que deduziu um grupo de pesquisadores do Reino Unido que comparou a atividade cerebral de falantes nativos do inglês e do grego enquanto mostrava a eles os blocos de bolinhas coloridas acima. A atividade cerebral deles era registrada ao longo do experimento e uma medida, o visual mismatch negativity (que, aparentemente, não tem tradução mesmo), um índice de detecção de mudanças automático e pré-atencional, era muito maior nos gregos do que nos ingleses quando eram mostradas as bolinhas azuis, e eram iguais em ambos quando eles viam as bolinhas verdes. Conclusão: a linguagem parece afetar não apenas a nossa avaliação consciente do ambiente, mas também refletir diferenças fundamentais no processamento perceptual de indivíduos falantes de línguas diferentes.
Mas você poderia perguntar: se a língua que a gente aprendeu a falar interfere no modo como enxergamos as cores, então bebês vêem cores de um jeito diferente dos adultos? Parece que sim. A wired publicou um post sobre um estudo (mais ou menos) recente do PNAS que via diferenças no modo como bebês e adultos processam cores. E mais: que faz diferença se a cor está sendo vista do lado direito ou do esquerdo.
Mas persiste a polêmica sobre a relevância dessas diferenças na prática. A opinião corrente é de que mesmo em línguas que, por exemplo, usam a mesma palavra para azul e verde (para os linguistas americanos, o popular grue), as pessoas continuam sendo capazes de distinguir azul do verde – os vietnamitas seriam capazes de distinguir o leaf grue do ocean grue, por exemplo.
O testemunho mais interessante que eu encontrei era de um polonês (que havia saído da Polônia antes de aprender a falar direito o polonês) e sua mulher, polonesa da gema. Ela, portanto, tem uma palavra para azul claro e uma para azul escuro, que ele também aprendeu – nas suas aulas de polonês na faculdade. Mas quando ela pede “traz o azul-claro, amor”, e ele muito prestativamente o faz, ela frequentemente responde “eu pedi o azul, não o verde”. Quando ela pede o azul-escuro, reclama que ele trouxe o roxo. E um dia ele fez um experimento numa reunião de família: ele e a mulher dele foram indicando de que cor que eles achavam que eram os objetos da casa. A família dela (da Polônia) concordava com ela, a família dele, com ele.
Nada científico, porém deveras curioso.
E falando de cores e línguas, lógico que eu não podia deixar de fora o exemplo mais clássico de todos: os esquimós. Aquela lenda de que eles têm 15 palavras pra branco e 40 palavras pra neve, é, bem, uma lenda. Se você quiser descobrir exatamente quantas palavras eles têm para isso, vai ver que tudo depende do seu conceito do que é cor (ou do que é neve), do que é um esquimó, e em última análise, do que é uma palavra (linguistas são esquisitos).
Mas, a princípio, os inuit têm uma palavra pra branco: kraudlortok.
Poxa, eu gostava de citar o exemplo dos esquimós….
Gostei! Parabéns!
Eu temia desiludir as pessoas sobre os esquimós… Mas é o meu trabalho ;-)
Nossa, isso me pareceu bastante importante, mesmo. Tipo, daquelas coisas que dão até um pouco de medo…
ps: e suas tags continuam ótimas!
Ja voltei! Hahahhh.. de novo, graças ao orkuut. Continue divulgando novidades por lá! rs
Sabe que esse lance de palavras deve mesmo influenciar o jeito de a pessoa pensar? Minha querida prof de Psicologia da Educação já dizia isso. Ela falava mto da questão da educação. Parece que em russo, uma palavra só é usada com significado tanto de “ensinar” quanto de “aprender”, ou seja, pra eles, nao é possivel que uma pessoa nao aprenda o que a outra ensina. Dose isso, né?? Parece que mtos professores aqui do Brasil pensam como os russos.rs
Bjinhos
Hahahaha!!!!
Nossa, adorei essa dos russos!!!! Realmente, acho que eles fizeram escola por aqui :-P
[...] de publicar um texto com o título acima no edge.org (sempre ele). A pergunta é a mesma que nós já fizemos anteriormente; a resposta, também. Em resumo: sim, dá pra gente concluir que a linguagem molda a maneira que a [...]