O Avanço do Ano 2008, segundo a revista Science

Imagem: Chris Bickel
Inserindo genes que fazem a “viagem no tempo” no desenvolvimento das células, pesquisadores ganham insight nas doenças e como ela define o seu destino
O avanço notável de 2008 se deve a duas prévias descobertas. Dez anos atrás, cientistas de Wiscosin (EUA) anunciaram a obtenção de células tronco embrionárias de humanos (hES) em cultura. Estas células são capazes de formar qualquer tipo de célula no corpo. Esta capacidade, conhecida como pluripotência, abriu um mundo de possibilidades para o desenvolvimento de pesquisas nas áreas médica e biológica, mas com um porém: o isolamento das hES requer a destruição do embrião, logo os pesquisadores encontraram barreira na bioética. Em muitos países, decisões políticas limitaram o estudo dos cientistas com hES.
Em 2006, cientistas japoneses mostraram uma possibilidade de solução para as questões éticas e práticas quanto ao uso de células hES. Introduzindo 4 genes nas células de camundongo em cultura, era possível produzir células semelhantes a células-tronco. Estas células foram chamadas de células tronco pluripotentes induzidas (iPS).
Células, feitas sob encomenda
Durante quase uma década, os pesquisadores tem procurado uma maneira de produzir linhagens de células estáveis de pacientes que sofrem de doenças difíceis ou impossíveis de reproduzir em animais. Em 2008, dois grupos alcançaram este feito. Um deles conseguiu derivar linhagens de células iPS das células da pele de uma mulher de 82 anos que sofria de escrerose amiotrófica lateral. Outro grupo criou linhagens de células iPS específicas para 10 tipos de doenças, incluindo diabetes tipo I, distrofia muscular e síndrome de Down.
Outro trabalho publicado em 2008 sugere que para reprogramação não seria necessário a célula voltar para o estado embrionário. Pesquisadores americanos, trabalhando em camundongos, reprogramaram células pancreáticas maduras chamadas células exócrinas para células beta. As células beta produzem insulina no pâncreas e são destruídas no diabetes tipo I. O grupo injetou um coquetel de três vírus nos pâncreas dos camundongos. Os vírus infectaram as células exócrinas, e em dias, o animal formou células produtoras de insulina que eram semelhantes e atuavam como células beta.
Queremos mais
Apesar dos pesquisadores terem feito grandes progressos em 2008, muitos avanços ainda são necessários para a reprogramação celular ser um método de cura para doenças. Para a reprogramação ser segura o suficiente para ser utilizada em terapia celular, os cientistas terão de achar um modo eficiente e confiável de acionar a reprogramação. Além disso, eles querem entender como o processo funciona, pois apesar de dezenas de laboratórios terem utilizado a técnica, o que acontece dentro das células reprogramadas permanece um mistério.
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