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Esse post é meio off-topic, mas vamos lá…

Piscina da USP (Crédito: Y.A. Bertrand)

Piscina da USP (Crédito: Y.A. Bertrand)

Eu “conheci” Yann Arthus Bertrand (http://www.yannarthusbertrand.com/) em 2005, quando vi a exposição de suas  fotografias, onde diversos lugares da Terra foram  fotografadas de helicópteros e balões. A exposição se chamava “Earth from Above” (La Terre vue du Ciel), e as fotos eram realmente absurdas.  Mas então:

Bertrand é o autor do filme, “Home”, um documentário com tomadas aéreas feitas de helicóptero em 54 países (!). No Dia Mundial do Meio Ambiente (05/06), o filme estreou mundialmente (em São Paulo, está passando no Espaco Unibanco do Frei Caneca e Bourbon e no cine UOL Lumière) na qual mostra imagens espetaculares, e também dados assustadores sobre a destruição do meio ambiente pelo … homem. Além de lidarmos com o espanto, agora temos também nas nossas costas a culpa – “sou responsável também?” (veja o post sobre emissões de CO2).

O filme está disponível online também, onde Bertrand postou no Youtube.

Ou: Ble, Galazio e Kraudlortok reloaded.


A Sra. Boroditsky, uma guriazinha com cara de Uma Thurman e professora em Stanford e no MIT [/envy], acaba de publicar um texto com o título acima no edge.org (sempre ele). A pergunta é a mesma que nós já fizemos anteriormente; a resposta, também. Em resumo: sim, dá pra gente concluir que a linguagem molda a maneira que a gente pensa. A graça está em como fazer para concluir essas coisas:

1.   Uma viagem para Pormpuraaw, uma comunidade aborígene australiana.

Muitos grupos aborígenes usam referenciais absolutos para falar sobre espaço. Então, em vez de usarem indicações como “esquerda” e “direita”, eles dizem coisas como “tem uma formiga na sua perna sudeste” ou “mova a xícara a norte-nordeste um pouquinho”.

Isso é particularmente interessante por que a gente constrói uma série de representações metafóricas baseadas na nossa noção de espaço. Exemplo: nossa representação de tempo. Se você (um falante da língua portuguesa, presumo) tivesse que ordenar uma série de imagens como as abaixo, o faria em que ordem?

A de preto (e branco) é a Srta.

Provavelmente da esquerda para direita, enquanto falantes de hebraico (que escrevem da direita para esquerda), ordenam na ordem inversa – isto é, do mesmo modo como escrevem. E os aborígenes? Depende. Quando estão sentados virados para o sul, ordenam da esquerda para a direita. Virados para o norte, da direita para a esquerda. E quando virados para o leste, arranjam as imagens na direção do próprio corpo, de cima para baixo – ou seja, eles sempre ordenam as cartas no sentido leste-oeste. E não precisam de bússola: eles sabem muito bem onde estão no espaço.

2.   Um experimento com americanos e gregos: para eles o tempo passa diferente?

Quem já tentou aprender inglês sabe como é se acostumar a isso: se não vai demorar muito, é por que it won’t take long; nós (assim como os gregos) pensamos em quantidade, eles em comprimento. Uma consequencia disso é que uma habilidade cognitiva básica, como a estimativa de duração, varia de acordo com a metáfora escolhida: americanos acham que uma linha de comprimento maior passa mais tempo sendo exibida na tela do que uma linha curta, enquanto gregos acham que um pote mais cheio fica mais tempo na tela que um mais vazio.

3.   Um experimento com alemães e espanhóis: a morte é menina ou menino?

Alemães, assim como nós e os espanhóis, atribuem gênero aos substantivos (e falantes do inglês acham esse hábito deveras curioso). Chave, em alemão, é masculino; em espanhol, feminino. Ponte é o contrário. O que acontece se a gente pedir para alemães e espanhóis atribuirem adjetivos a “chave” e “ponte”? Enquanto os alemães acham que as chaves são “duras”, “pesadas”, “metálicas” e “úteis”, os espanhóis acham elas “pequenas”, “douradas”, “brilhantes” e “intrincadas”. (E eles acham tudo isso em inglês, que não tem gênero atribuído aos substantivos.) Com a ponte acontece o contrário, e até a morte segue o mesmo padrão. 85% das personificações da morte em obras de arte podem ser previstas pelo gênero da palavra “morte” na língua nativa do pintor. Para os alemães, é um homem. Para os russos, uma mulher.

4. Just checking: e como a gente sabe que a língua que molda a nossa percepção, e não os fatores culturais que moldam a língua?

O pessoal de Stanford ensinou falantes de inglês a atribuir gênero a certos substantivos, como fazemos nós (e quase todo mundo, creio), e eles começaram a achar que as chaves eram femininas e as pontes masculinas, ou vice-versa.

Aí eu me pergunto: e se pedir para um brasilero atribuir qualidades ao sol (feminino em alemão) ou a um piano (neutro em alemão) em alemão? É diferente do que atribuir adjetivos às mesmas palavras em português?

E tem uma coisa que eu acho engraçado: certas palavras parecem equivalentes (como ble e azul-claro, e galazio e azul-escuro), mas fazem toda a diferença na nossa percepção de mundo. Ao passo que eu acho que o fato de nós não termos uma palavra para designar aquela ótima-resposta-que-só-ocorre-quando-já-é-tarde-demais não significa nós vejamos o mundo diferente dos alemães (nesse sentido pelo menos). Em outras palavras: no primeiro exemplo temos a palavra, mas não a ideia. No segundo temos a ideia, mas não a palavra.

No caso, treppenwitz.

Sangue Negro

Lendo o artigo da Science desta semana me lembrei do filme “Sangue Negro” (There will be blood), que fala sobre poder e petróleo. É porque os geólogos concluíram que 1/3 da reserva de gás natural e 4% do petróleo (83 bilhões de barris) do planeta estão no norte do Ártico, a 500 m abaixo da água. Será que em breve veremos mais escavações (e devastação ambiental) pelo Alasca & Ártico? Homens com mapas na mão e furadeira na outra?

A área em Vermelho (escuro ou claro) mostram a presença do gás. (Crédito: Science)

As áreas em Vermelho (escuro ou claro) mostram a presença do gás. (Crédito: Science)

Supermodelo

Não estamos falando da Gisele , Raquel Zimmermann ou Natalia Vodianova. É o Sagui, que vá lá, tem um charme, confira:

Eu sou muito gato...

Eu sou muito gato, sou até capa da Nature

Publicado esta semana na Nature, o trabalho do grupo japonês mostra um novo modelo animal para uso em pesquisa, na tentativa de substituir o primata mais usado (macaco) pelo sagui.
Os saguis são pequenos e fáceis de manipular, e alcançam a maturidade sexual em apenas 1 ano e uma fêmea pode ter 80 filhotes (!!!) em comparação com os 10 que uma macaca pode ter no curso da vida.
Erika e seu grupo injetaram vetores lentivirais (vírus da família dos retrovírus, o mais famoso é o HIV) com proteína verde fluorescente – GFP (proteína isolada da água viva e “brilha” em verde quando exposto à luz azul – os descobridores do GFP foram laureados com premio Nobel de química ano passado) em embriões de saguis, e posteriormente transferiram estes embriões às mães saguis. Cinco filhotes nasceram (entre eles, Kei e Kou), e todos eles expressavam o “gene brilhante”. O mais interessante é que os 2 filhos nascidos da fertilização in vitro utilizando esperma do Kou herdaram o GFP do pai. É engraçado ler num artigo que um dos dois filhos foi morto após APANHAR DA MÃE.

Os pesquisadores buscam modelos de primatas que expressam e herdam os genes introduzidos, como os camundongos. Em 2001, Chan e colaboradores introduziram GFP no macaco. Mas o passar os transgenes para a próxima geração nunca tinha sido realizado. Os macacos do Chan não conseguiram ter descendentes com GFP, assim, Chan tinha que esperar outro ano para ter filhotes para introduzir o transgene. Disse ele ainda que os saguis são melhores que roedores, mas questionou se eles seriam bons o suficiente.

Outros dizem que saguis não tem habilidade cognitiva como a do macaco para analisar, por exemplo, sintomas da Doença de Alzheimer. Além do mais, os cientistas afirmam que saguis não tem um histórico de conhecimento sobre eles como o macaco e os roedores possuem. Por fim, o que a Erika disse faz sentido: “Se você pode fazer seu modelo em roedores ou in vitro, deve fazer. Mas para muitas doenças, como Parkinson, roedores não são bons modelos”.

Ida

A mocinha aí de cima chama-se Ida, tem 47 milhões de anos e acaba de entrar para a família. De acordo com o paleontologista Jorn Hurum, que chefiou a equipe responsável pelo achado, Ida (nome da filhinha de Jorn) é a foto mais antiga que se poderia colocar num álbum de família de todos os humanos, “o mais próximo que se poderia chegar a um ancestral direto”. Ida - Darwinius masillae, para os íntimosseria o último ancestral comum entre os lêmures (que são os primatas vivos mais antigos)  e os primatas “superiores” (no caso, nós e o resto dos animais macacos-like).

fofucho

Um lêmure

Charles_Darwin

Um primata superior

Mas isso, claro, é especulação. A descoberta foi divulgada com estardalhaço (já existe livro, documentário, site promocional) e até o google deu uma forcinha (fazendo uma página inicial especial para a Ida no dia de hoje). Mas existem uma série de dúvidas e  convocar uma coletiva de imprensa antes mesmo do artigo ser publicado em um periódico científico pegou bem mal. Para Cristopher Beard, do museu Carnegie de História Natural, em Pittsburgh, o que se pode dizer sobre essa espécie é que é “o mais distante que se pode ir e ainda continuar sendo um primata”.

Que um parente do Eoceno, com 95% dos ossos, vestígios de pele e do conteúdo estomacal é importante, ninguém duvida. Mas o lugar que você deveria reservar para Ida na sua árvore genealógica ainda é um mistério.

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National Geographic: New Fossil Links Humans, Lemurs?

PLoS One: Complete Primate Skeleton from the Middle Eocene of Messel in Germany: Morphology and Paleobiology

a good guy

Uma vez, no ICB, assisti a uma palestra sensacional sobre violência. Um casal de professores havaianos, muito simpáticos, falou sobre agressividade. A violência, eles disseram, é uma resposta a existência de bens sequestráveis. (Não é a única definição que existe, mas é uma bem interessante.) Nós somos agressivos para proteger nosso território, nossa prole, nosso acesso a recursos naturais. E por parceiros, é claro.

Uma das pesquisas da professora (esqueci completamente o nome dela) envolvia perguntar a jovens membros de gangues nos EUA por que é que eles haviam entrado para esse tipo de organização violenta. Metade respondeu que era para conseguir mulher. A outra metade, que era para conseguir dinheiro para… conseguir mulher. Gengis Khan, aquele que não ficou famoso pelo bom temperamento, é antepassado de 1/5 da população mundial (em algumas regiões da Ásia essa proporção chega a 50%). E um estudo publicado na Science em 1988, com os índios Yanomami, relatava a dolce vita dos grandes guerreiros da tribo: aqueles que carregavam mais mortes nas costas tinham mais mulheres e mais filhos que os homens menos sanguinários. Só posso dizer que, isso posto, o futuro é dos malvados.

A boa notícia para os rapazes civilizados é que um estudo demonstrou o contrário (bom, já é um começo). Pelo menos entre os Waorani - uma tribo do Equador, considerada uma das mais sangrentas do mundo – ser malvado é uma péssima ideia. A ScienceNow comparou os casos dos Yanomami e dos

um guerreiro assassino e sorridente

um waorani

Waorani e viu que havia muitas diferenças entre os dois povos. Entre os Yanomami, depois de uma onda de massacre e horror, era declarada uma trégua de pelo menos uma geração, quando o grande matador do banho de sangue podia curtir as honras de ser o, bem, grande matador do banho de sangue. Entre os Waorani – que não conquistaram sua fama de sanguinários à toa – essa trégua não existe. A matança é ininterrupta e os grandes guerreiros não só não têm mais mulheres e filhos que os outros, como seus filhos também morrem mais, por que se a matança é ininiterrupta, a vendetta também – e acaba sobrando para os coitados dos meninos que deram o azar de serem filhos do cara que mais arranja confusão da aldeia.

Moral da história: sabe-se lá. Uma coisa é o comportamento de um rapazinho cheio de fúria e hormônios em uma sociedade onde o chefe é o cara que impõe respeito (tipo, na pré-história, ou numa gangue). Outra é esse mesmo rapazinho num lugar com Constituição e cadeia. Tem um livro extraordinário sobre esse assunto que é o Abril Despedaçado, do Ismail Kadaré (veja bem, eu disse livro, não filme, pelamordedeus), extremamente recomendado.

Num mundo como nosso, talvez os Kadarés possam parecer mais interessantes que os Gengis Khan.

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Life histories, blood revenge, and reproductive success among the Waorani of Ecuador. Stephen Beckerman, Pamela I. Erickson, James Yost, Jhanira Regalado, Lilia Jaramillo, Corey Sparks, Moises Iromenga, and Kathryn Long. Proceedings of the National Academy of Sciences, maio de 2009.

Life histories, blood revenge, and warfare in a tribal population. Napoleon Chagnon. Science 239, fevereiro de 1988.

Plastico que muda de cor, qual a utilidade?

Crédito: D. Stevenson, A. Jerez, A. Hamilton, and D. Davis

Crédito: D. Stevenson, A. Jerez, A. Hamilton, and D. Davis

Pesquisadores criaram plásticos que mudam de cor sob estresse  mecânico. Isto seria interessante para sinalizar plásticos que estão para quebrar, por exemplo.

2 anos atrás, foi criado moléculas em forma de anel, chamados “mecanoporos”. Em resposta a força mecânica, estes anéis quebravam, mudando a cor do polímero mas o grande porém era que estes mecanoporos só funcionavam quando o polímero estava em solução (e os pesquisadores estressavam o polímero por ultrassom – e mudava de cor, para rosa).
Até aí, tudo bem. Mas no mundo real, as forças são aplicadas em sólidos, não em solução de polímero.

Moore e Sottos conseguiram com que estes mecanoporos funcionassem em sólidos. Com a combinação de modelos teóricos e experimentais, eles mostraram que a conectividade entre o mecanoporo e o polímero é importante: colocando 2 cadeias de polímeros em lados opostos do mecanoporo permite a transferência máxima de força nas cadeias de polímeros; porém se colocasse os polímeros do mesmo lado, o mesmo não iria acontecer. Os autores do trabalho mostram pela primeira vez os princípios de design de polímeros mecanoquímicos sólidos. O trabalho foi publicado na Nature desta semana.

Atendendo a pedidos, um post para a série “Por que você realmente deveria parar de fumar”

Hehehe

Que pessoas com transtornos de humor (como depressão e transtorno bipolar) e outros transtornos psiquiátricos (como esquizofrenia) fumam mais que os outros, é sabido. Mas eles fumam mais por que estão doentes, estão doentes por que fumam mais ou nem uma coisa nem outra – tanto a dependência quanto o transtorno compartilham causas genéticas comuns sem necessariamente influenciar um ao outro?

Provavelmente um pouco de cada. Já foi mostrado que fumar aumenta o risco de depressão – e a depressão, por sua vez, piora a progressão do fumo. Além disso, os mesmo fatores genéticos e ambientais que predispõem aos transtornos de humor (como impulsividade, estresse e baixo status sócio-econômico) também predispõem ao abuso e dependência de drogas.

Um estudo australiano foi ver então o que acontecia com bipolares fumantes e não-fumantes, que estavam em mania – e viu que eles seguiram cursos muito diferentes (embora a gravidade do estado fosse equivalente). Se nas análises de curto prazo (3 semanas) não foram vistas diferenças entre os dois grupos, nas análises de médio e longo prazo (12 e 47 semanas) essas diferenças se tornaram bem evidentes. Os fumantes apresentaram mais sintomas de mania e menor nível de funcionamento do que os não-fumantes independentemente do tratamento utilizado (foram comparados os resultados utilizando 3 sistemas de tratamento). Além disso, menos fumantes fizeram o tratamento até o fim. Estudos mais antigos mostram que o cigarro pode aumentar a freqüência e magnitude dos episódios de humor em ambos os pólos, tornando o estado do paciente mais instável.

Para quem ficou curioso pra saber o que o cigarro (mais especificamente a nicotina) tem a ver com os altos e baixos do humor, a chave pode estar em dois sistemas neurotransmissores: o da acetilcolina e o das monoaminas. Este último inclui a dopamina, já famosa pelo seu papel no abuso de drogas e, mais recentemente, também nos transtornos de humor. Mas até aí, todas as drogas mexem na dopamina. O que a nicotina faz é, além disso, ativar intensamente os receptores nicotínicos de acetilcolina (assim batizados em sua homenagem); essa via medeia a liberação por todo o cérebro de vários neurotransmissores, incluindo a própria dopamina e também serotonina, GABA, noradrenalina e glutamato. Estudos recentes mostram que os receptores nicotínicos estão alterados em pacientes com transtorno bipolar e esquizofrenia.

E se tudo isso não for suficiente, o titio Serra logo, logo dará mais razões para largar o marvado (bom, eu vou fumar bem menos, hehe. Quiçá nunca mais inale a fumaça alheia!).

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Going up in smoke: Tobacco smoking is associated with worse treatment outcomes in mania. Berk M, Ng F, Wang WV, Tohen M, Lubman DI, Vieta E, Dodd S. Journal of Affective Disorders, Vol. 110, Setembro de 2008.

SBFTE

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Saímos no Newsletter da SBFTE do dia 21 de abril!

Gostaríamos de agradecer a Profa. Dra. Rosely Godinho (Unifesp) pela inserção do link do nosso blog no newsletter, e também pelo Prof. Dr.  Cristoforo Scavone (USP), que possibilitou o contato com a Profa. Rosely.

Gripe suína

Porcos de uma fazenda em México, 27/04/09. Crédito: Alexandre Meneghini

Porcos de uma fazenda em México, 27/04/09. Crédito: Alexandre Meneghini

Falando em porcos… não há mídia que não esteja falando sobre a gripe suína recentemente. Aliás, os criadores de porcos estão pedindo “pelo amor de Deus!!” para que o nome da gripe mude, pois a carne de porco (que  não transmite a doença, de acordo com a CDC) está em queda nas vendas.

Vírus influenza H1N1. Fonte: CBS News

Vírus influenza H1N1. Fonte: CBS News

Os pesquisadores estão com cabelo em pé porque a genética deste vírus (H1N1) é direfente de tudo que já se viu. É uma linhagem que combina 3 fontes diferentes de influenza – humana, suína e aviária, mais uma pitada de genes de vírus influenza H3N2 suína , este originariamente de humano. Que complicação. “Onde é que esse vírus pegou todos esses genes nós não sabemos, mas ele é um vírus bem misturado”, dizem os cientistas.

A primeira vez que foi visto um paciente com a gripe suína foi em março deste ano. A genética do virus é tão nova que os humanos não tem imunidade para ele e a vacina que existe por ora – que visa uma linhagem diferente de H1N1 – não oferece nenhuma proteção. Por enquanto, a gripe suína é tratável com as drogas anti-influenza oseltamivir (Tamiflu®-Roche) e zanamivir (Relenza® -GSK), a Roche e a GlaxoSmithKline não devem estar conseguindo parar de rir.

Testes no vírus H1N1 começam em Londres este mês

Os virologistas do NIMR (Londres) começaram a trabalhar com amostras de H1N1 para entender como ele se comporta,  para o desenvolvimento de vacinas efetivas.

Ainda não se sabe como ele é transmitido de um humano para outro.  Os cientistas por enquanto não observaram nada na genética do vírus H1N1 que leve à mutação para uma forma mais virulenta. Eles estão procurando por evidências nas mudanças de proteínas na superfície do vírus, conhecidos como “drifts” (mutações pontuais) antigênicos, quando o H1N1 passa de um hospedeiro para outro. Mudanças nas proteínas podem dificultar a eficácia das drogas e também no desenvolvimento de uma vacina eficaz.
O diretor da OMS Alan Ray disse que em “alguns meses” a vacina estará disponível. Ainda, o NIMR está preparando reagentes para serem usados por outros laboratórios para detectar e diagnosticar a infecção.

Veja aqui o número de casos confirmados no mundo.

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