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Ou, em bom português, quem não te conhece que te compre. Se você algum dia já se desentendeu com um colega por causa do ar-condicionado (que um dos dois queria manter ligado, enquanto o outro tremia de frio), você deveria saber que a COP15, a 15ª Conferência da ONU sobre Clima, estava destinada ao fracasso. Não ao fracasso total, necessariamente – mas algum fracasso é inevitável. O problema das decisões coletivas é que elas são tomadas por indivíduos e existem tantos interesses quanto existem pessoas na terra. Nós deveríamos estar todos do mesmo lado; mas se fosse assim tão fácil, aqueles que menos contribuíram para o aquecimento global não poderiam ser as maiores vítimas dele. E provavelmente serão. Isso não significa que o problema não tenha solução; o avanço que temos visto na questão ambiental beira o inacreditável. O projeto Hopenhagen (cujo trocadilho cede o título a essas mal traçadas) é uma das provas disso. Por que mega-companhias organizam e financiam projetos desse tipo? Por que escândalos ambientais agora são isso mesmo, escândalos. E pegam mal de um jeito que não poderíamos imaginar há 50 anos atrás.

Se você não tem alergia a ufanismos, pode ler sobre a participação brasileira na COP 15 no site do governo. Se não se importar com algumas doses de melancolia e patrocínio maciço de alguns dos maiores poluidores do mundo, o site oficial do evento é imperdível.

Em algumas horas, teremos finalmente o “Protocolo de Copenhague” – ou a falta dele.

Ou pelo menos do que eu pensava (e pode substituir o “esquisito” por “evolutivamente condenado”). Ursinhos panda pertencem à família do mico-leão-dourado de fofuras ecológicas: a grande importância deles nos seus ecossistemas é a de serem garotos-propaganda do próprio ecossistema. Como dizia um biólogo amigo meu, campanhas para salvar as formigas da mata atlântica não têm muito apelo comercial. É mais ou menos como contratar uma modelo jovenzinha para fazer propaganda de anti-rugas: se você fosse sincero com seu público, ele não ia comprar seu produto. Então, em vez de camisetas com vespas venenosas ou besouros de hábitos anti-higiênicos, você elege algum animalzinho mais bonitinho para simbolizar os seus esforços de preservação e esperar que as pessoas se comovam com sua fotogenia. Pandas são um exemplo extraordinário dessa tendência: são um símbolo internacional da preservação ambiental e parecem estar só fazendo hora extra na terra. (Eles são bichos enormes, que só se alimentam de um tipo de comida que depende da conscientização ambiental dos chineses para continuar existindo – hello?) Mas aí o pessoal resolve seqüenciar o genoma desse bichinho e o que eles descobrem? Que os pandas têm TODAS as enzimas para digerir carne e nenhuma remotamente parecida com uma celulase (que são as enzimas que digerem a celulose presente nos vegetais – e que animais herbívoros costumam ter sobrando). Considerando que os pandas fazem parte da ordem Carnivora (de nome auto-explicativo), isso não é exatamente uma surpresa. Mas quando eu penso que um bicho que podia estar comendo o que lhe desse na telha está ameaçado de extinção por que a única coisa que ele se digna a comer está sumindo do mapa… Bem, essa não é a única razão pela qual ele está ameaçado de extinção, mas ainda assim eu acho que é para ler o artigo ouvindo He had it comin’.

muitos pandas

Mas que eles são uns fofos, são mesmo

Comentários maldosos sobre os pobres pandinhas à parte, o que os pesquisadores que comentaram o artigo querem saber é: se nós sabemos que o problema dos pandas é o hábitat encolhendo, para que exatamente gastar dinheiro seqüenciando seu genoma?  Não que seja inútil,  mas será que não podemos usar a verba disponível de maneira mais eficiente? Quando saiu o genoma do Schistosoma mansoni, um professor de biologia fez uma pergunta parecida: se nós sabemos que as pessoas se infectam com o esquistossoma por terem contato com água contaminada, será que o melhor jeito de proteger as 35 milhões de pessoas que, estima-se, estão sob risco de contaminação no Brasil, é seqüenciando o genoma do helminto? E ele citou um caso que eu presenciei. No meu primeiro ano de faculdade, ainda na biologia, esse professor ministrou uma aula-trote. Lá pelas tantas, ele disse que, para evitar o crescente número de urubus nas turbinas dos aviões, estava sendo realizado um melhoramento genético nas aves, de modo a selecionar geneticamente aquelas que voam baixo (uma piada, evidentemente). Mas um colega meu, ainda levando a sério a aula, perguntou: não é mais fácil mudar as turbinas do que os urubus?

Pois é. Talvez repensar prioridades impeça que o panda vire o próximo dodô – e vá de garoto-propaganda a mártir da causa.

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Esse post é meio off-topic, mas vamos lá…

Piscina da USP (Crédito: Y.A. Bertrand)

Piscina da USP (Crédito: Y.A. Bertrand)

Eu “conheci” Yann Arthus Bertrand (http://www.yannarthusbertrand.com/) em 2005, quando vi a exposição de suas  fotografias, onde diversos lugares da Terra foram  fotografadas de helicópteros e balões. A exposição se chamava “Earth from Above” (La Terre vue du Ciel), e as fotos eram realmente absurdas.  Mas então:

Bertrand é o autor do filme, “Home”, um documentário com tomadas aéreas feitas de helicóptero em 54 países (!). No Dia Mundial do Meio Ambiente (05/06), o filme estreou mundialmente (em São Paulo, está passando no Espaco Unibanco do Frei Caneca e Bourbon e no cine UOL Lumière) na qual mostra imagens espetaculares, e também dados assustadores sobre a destruição do meio ambiente pelo … homem. Além de lidarmos com o espanto, agora temos também nas nossas costas a culpa – “sou responsável também?” (veja o post sobre emissões de CO2).

O filme está disponível online também, onde Bertrand postou no Youtube.

Ou: Ble, Galazio e Kraudlortok reloaded.


A Sra. Boroditsky, uma guriazinha com cara de Uma Thurman e professora em Stanford e no MIT [/envy], acaba de publicar um texto com o título acima no edge.org (sempre ele). A pergunta é a mesma que nós já fizemos anteriormente; a resposta, também. Em resumo: sim, dá pra gente concluir que a linguagem molda a maneira que a gente pensa. A graça está em como fazer para concluir essas coisas:

1.   Uma viagem para Pormpuraaw, uma comunidade aborígene australiana.

Muitos grupos aborígenes usam referenciais absolutos para falar sobre espaço. Então, em vez de usarem indicações como “esquerda” e “direita”, eles dizem coisas como “tem uma formiga na sua perna sudeste” ou “mova a xícara a norte-nordeste um pouquinho”.

Isso é particularmente interessante por que a gente constrói uma série de representações metafóricas baseadas na nossa noção de espaço. Exemplo: nossa representação de tempo. Se você (um falante da língua portuguesa, presumo) tivesse que ordenar uma série de imagens como as abaixo, o faria em que ordem?

A de preto (e branco) é a Srta.

Provavelmente da esquerda para direita, enquanto falantes de hebraico (que escrevem da direita para esquerda), ordenam na ordem inversa – isto é, do mesmo modo como escrevem. E os aborígenes? Depende. Quando estão sentados virados para o sul, ordenam da esquerda para a direita. Virados para o norte, da direita para a esquerda. E quando virados para o leste, arranjam as imagens na direção do próprio corpo, de cima para baixo – ou seja, eles sempre ordenam as cartas no sentido leste-oeste. E não precisam de bússola: eles sabem muito bem onde estão no espaço.

2.   Um experimento com americanos e gregos: para eles o tempo passa diferente?

Quem já tentou aprender inglês sabe como é se acostumar a isso: se não vai demorar muito, é por que it won’t take long; nós (assim como os gregos) pensamos em quantidade, eles em comprimento. Uma consequencia disso é que uma habilidade cognitiva básica, como a estimativa de duração, varia de acordo com a metáfora escolhida: americanos acham que uma linha de comprimento maior passa mais tempo sendo exibida na tela do que uma linha curta, enquanto gregos acham que um pote mais cheio fica mais tempo na tela que um mais vazio.

3.   Um experimento com alemães e espanhóis: a morte é menina ou menino?

Alemães, assim como nós e os espanhóis, atribuem gênero aos substantivos (e falantes do inglês acham esse hábito deveras curioso). Chave, em alemão, é masculino; em espanhol, feminino. Ponte é o contrário. O que acontece se a gente pedir para alemães e espanhóis atribuirem adjetivos a “chave” e “ponte”? Enquanto os alemães acham que as chaves são “duras”, “pesadas”, “metálicas” e “úteis”, os espanhóis acham elas “pequenas”, “douradas”, “brilhantes” e “intrincadas”. (E eles acham tudo isso em inglês, que não tem gênero atribuído aos substantivos.) Com a ponte acontece o contrário, e até a morte segue o mesmo padrão. 85% das personificações da morte em obras de arte podem ser previstas pelo gênero da palavra “morte” na língua nativa do pintor. Para os alemães, é um homem. Para os russos, uma mulher.

4. Just checking: e como a gente sabe que a língua que molda a nossa percepção, e não os fatores culturais que moldam a língua?

O pessoal de Stanford ensinou falantes de inglês a atribuir gênero a certos substantivos, como fazemos nós (e quase todo mundo, creio), e eles começaram a achar que as chaves eram femininas e as pontes masculinas, ou vice-versa.

Aí eu me pergunto: e se pedir para um brasilero atribuir qualidades ao sol (feminino em alemão) ou a um piano (neutro em alemão) em alemão? É diferente do que atribuir adjetivos às mesmas palavras em português?

E tem uma coisa que eu acho engraçado: certas palavras parecem equivalentes (como ble e azul-claro, e galazio e azul-escuro), mas fazem toda a diferença na nossa percepção de mundo. Ao passo que eu acho que o fato de nós não termos uma palavra para designar aquela ótima-resposta-que-só-ocorre-quando-já-é-tarde-demais não significa nós vejamos o mundo diferente dos alemães (nesse sentido pelo menos). Em outras palavras: no primeiro exemplo temos a palavra, mas não a ideia. No segundo temos a ideia, mas não a palavra.

No caso, treppenwitz.

Sangue Negro

Lendo o artigo da Science desta semana me lembrei do filme “Sangue Negro” (There will be blood), que fala sobre poder e petróleo. É porque os geólogos concluíram que 1/3 da reserva de gás natural e 4% do petróleo (83 bilhões de barris) do planeta estão no norte do Ártico, a 500 m abaixo da água. Será que em breve veremos mais escavações (e devastação ambiental) pelo Alasca & Ártico? Homens com mapas na mão e furadeira na outra?

A área em Vermelho (escuro ou claro) mostram a presença do gás. (Crédito: Science)

As áreas em Vermelho (escuro ou claro) mostram a presença do gás. (Crédito: Science)

Supermodelo

Não estamos falando da Gisele , Raquel Zimmermann ou Natalia Vodianova. É o Sagui, que vá lá, tem um charme, confira:

Eu sou muito gato...

Eu sou muito gato, sou até capa da Nature

Publicado esta semana na Nature, o trabalho do grupo japonês mostra um novo modelo animal para uso em pesquisa, na tentativa de substituir o primata mais usado (macaco) pelo sagui.
Os saguis são pequenos e fáceis de manipular, e alcançam a maturidade sexual em apenas 1 ano e uma fêmea pode ter 80 filhotes (!!!) em comparação com os 10 que uma macaca pode ter no curso da vida.
Erika e seu grupo injetaram vetores lentivirais (vírus da família dos retrovírus, o mais famoso é o HIV) com proteína verde fluorescente – GFP (proteína isolada da água viva e “brilha” em verde quando exposto à luz azul – os descobridores do GFP foram laureados com premio Nobel de química ano passado) em embriões de saguis, e posteriormente transferiram estes embriões às mães saguis. Cinco filhotes nasceram (entre eles, Kei e Kou), e todos eles expressavam o “gene brilhante”. O mais interessante é que os 2 filhos nascidos da fertilização in vitro utilizando esperma do Kou herdaram o GFP do pai. É engraçado ler num artigo que um dos dois filhos foi morto após APANHAR DA MÃE.

Os pesquisadores buscam modelos de primatas que expressam e herdam os genes introduzidos, como os camundongos. Em 2001, Chan e colaboradores introduziram GFP no macaco. Mas o passar os transgenes para a próxima geração nunca tinha sido realizado. Os macacos do Chan não conseguiram ter descendentes com GFP, assim, Chan tinha que esperar outro ano para ter filhotes para introduzir o transgene. Disse ele ainda que os saguis são melhores que roedores, mas questionou se eles seriam bons o suficiente.

Outros dizem que saguis não tem habilidade cognitiva como a do macaco para analisar, por exemplo, sintomas da Doença de Alzheimer. Além do mais, os cientistas afirmam que saguis não tem um histórico de conhecimento sobre eles como o macaco e os roedores possuem. Por fim, o que a Erika disse faz sentido: “Se você pode fazer seu modelo em roedores ou in vitro, deve fazer. Mas para muitas doenças, como Parkinson, roedores não são bons modelos”.

Ida

A mocinha aí de cima chama-se Ida, tem 47 milhões de anos e acaba de entrar para a família. De acordo com o paleontologista Jorn Hurum, que chefiou a equipe responsável pelo achado, Ida (nome da filhinha de Jorn) é a foto mais antiga que se poderia colocar num álbum de família de todos os humanos, “o mais próximo que se poderia chegar a um ancestral direto”. Ida - Darwinius masillae, para os íntimosseria o último ancestral comum entre os lêmures (que são os primatas vivos mais antigos)  e os primatas “superiores” (no caso, nós e o resto dos animais macacos-like).

fofucho

Um lêmure

Charles_Darwin

Um primata superior

Mas isso, claro, é especulação. A descoberta foi divulgada com estardalhaço (já existe livro, documentário, site promocional) e até o google deu uma forcinha (fazendo uma página inicial especial para a Ida no dia de hoje). Mas existem uma série de dúvidas e  convocar uma coletiva de imprensa antes mesmo do artigo ser publicado em um periódico científico pegou bem mal. Para Cristopher Beard, do museu Carnegie de História Natural, em Pittsburgh, o que se pode dizer sobre essa espécie é que é “o mais distante que se pode ir e ainda continuar sendo um primata”.

Que um parente do Eoceno, com 95% dos ossos, vestígios de pele e do conteúdo estomacal é importante, ninguém duvida. Mas o lugar que você deveria reservar para Ida na sua árvore genealógica ainda é um mistério.

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National Geographic: New Fossil Links Humans, Lemurs?

PLoS One: Complete Primate Skeleton from the Middle Eocene of Messel in Germany: Morphology and Paleobiology

a good guy

Uma vez, no ICB, assisti a uma palestra sensacional sobre violência. Um casal de professores havaianos, muito simpáticos, falou sobre agressividade. A violência, eles disseram, é uma resposta a existência de bens sequestráveis. (Não é a única definição que existe, mas é uma bem interessante.) Nós somos agressivos para proteger nosso território, nossa prole, nosso acesso a recursos naturais. E por parceiros, é claro.

Uma das pesquisas da professora (esqueci completamente o nome dela) envolvia perguntar a jovens membros de gangues nos EUA por que é que eles haviam entrado para esse tipo de organização violenta. Metade respondeu que era para conseguir mulher. A outra metade, que era para conseguir dinheiro para… conseguir mulher. Gengis Khan, aquele que não ficou famoso pelo bom temperamento, é antepassado de 1/5 da população mundial (em algumas regiões da Ásia essa proporção chega a 50%). E um estudo publicado na Science em 1988, com os índios Yanomami, relatava a dolce vita dos grandes guerreiros da tribo: aqueles que carregavam mais mortes nas costas tinham mais mulheres e mais filhos que os homens menos sanguinários. Só posso dizer que, isso posto, o futuro é dos malvados.

A boa notícia para os rapazes civilizados é que um estudo demonstrou o contrário (bom, já é um começo). Pelo menos entre os Waorani - uma tribo do Equador, considerada uma das mais sangrentas do mundo – ser malvado é uma péssima ideia. A ScienceNow comparou os casos dos Yanomami e dos

um guerreiro assassino e sorridente

um waorani

Waorani e viu que havia muitas diferenças entre os dois povos. Entre os Yanomami, depois de uma onda de massacre e horror, era declarada uma trégua de pelo menos uma geração, quando o grande matador do banho de sangue podia curtir as honras de ser o, bem, grande matador do banho de sangue. Entre os Waorani – que não conquistaram sua fama de sanguinários à toa – essa trégua não existe. A matança é ininterrupta e os grandes guerreiros não só não têm mais mulheres e filhos que os outros, como seus filhos também morrem mais, por que se a matança é ininiterrupta, a vendetta também – e acaba sobrando para os coitados dos meninos que deram o azar de serem filhos do cara que mais arranja confusão da aldeia.

Moral da história: sabe-se lá. Uma coisa é o comportamento de um rapazinho cheio de fúria e hormônios em uma sociedade onde o chefe é o cara que impõe respeito (tipo, na pré-história, ou numa gangue). Outra é esse mesmo rapazinho num lugar com Constituição e cadeia. Tem um livro extraordinário sobre esse assunto que é o Abril Despedaçado, do Ismail Kadaré (veja bem, eu disse livro, não filme, pelamordedeus), extremamente recomendado.

Num mundo como nosso, talvez os Kadarés possam parecer mais interessantes que os Gengis Khan.

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Life histories, blood revenge, and reproductive success among the Waorani of Ecuador. Stephen Beckerman, Pamela I. Erickson, James Yost, Jhanira Regalado, Lilia Jaramillo, Corey Sparks, Moises Iromenga, and Kathryn Long. Proceedings of the National Academy of Sciences, maio de 2009.

Life histories, blood revenge, and warfare in a tribal population. Napoleon Chagnon. Science 239, fevereiro de 1988.

Plastico que muda de cor, qual a utilidade?

Crédito: D. Stevenson, A. Jerez, A. Hamilton, and D. Davis

Crédito: D. Stevenson, A. Jerez, A. Hamilton, and D. Davis

Pesquisadores criaram plásticos que mudam de cor sob estresse  mecânico. Isto seria interessante para sinalizar plásticos que estão para quebrar, por exemplo.

2 anos atrás, foi criado moléculas em forma de anel, chamados “mecanoporos”. Em resposta a força mecânica, estes anéis quebravam, mudando a cor do polímero mas o grande porém era que estes mecanoporos só funcionavam quando o polímero estava em solução (e os pesquisadores estressavam o polímero por ultrassom – e mudava de cor, para rosa).
Até aí, tudo bem. Mas no mundo real, as forças são aplicadas em sólidos, não em solução de polímero.

Moore e Sottos conseguiram com que estes mecanoporos funcionassem em sólidos. Com a combinação de modelos teóricos e experimentais, eles mostraram que a conectividade entre o mecanoporo e o polímero é importante: colocando 2 cadeias de polímeros em lados opostos do mecanoporo permite a transferência máxima de força nas cadeias de polímeros; porém se colocasse os polímeros do mesmo lado, o mesmo não iria acontecer. Os autores do trabalho mostram pela primeira vez os princípios de design de polímeros mecanoquímicos sólidos. O trabalho foi publicado na Nature desta semana.

Atendendo a pedidos, um post para a série “Por que você realmente deveria parar de fumar”

Hehehe

Que pessoas com transtornos de humor (como depressão e transtorno bipolar) e outros transtornos psiquiátricos (como esquizofrenia) fumam mais que os outros, é sabido. Mas eles fumam mais por que estão doentes, estão doentes por que fumam mais ou nem uma coisa nem outra – tanto a dependência quanto o transtorno compartilham causas genéticas comuns sem necessariamente influenciar um ao outro?

Provavelmente um pouco de cada. Já foi mostrado que fumar aumenta o risco de depressão – e a depressão, por sua vez, piora a progressão do fumo. Além disso, os mesmo fatores genéticos e ambientais que predispõem aos transtornos de humor (como impulsividade, estresse e baixo status sócio-econômico) também predispõem ao abuso e dependência de drogas.

Um estudo australiano foi ver então o que acontecia com bipolares fumantes e não-fumantes, que estavam em mania – e viu que eles seguiram cursos muito diferentes (embora a gravidade do estado fosse equivalente). Se nas análises de curto prazo (3 semanas) não foram vistas diferenças entre os dois grupos, nas análises de médio e longo prazo (12 e 47 semanas) essas diferenças se tornaram bem evidentes. Os fumantes apresentaram mais sintomas de mania e menor nível de funcionamento do que os não-fumantes independentemente do tratamento utilizado (foram comparados os resultados utilizando 3 sistemas de tratamento). Além disso, menos fumantes fizeram o tratamento até o fim. Estudos mais antigos mostram que o cigarro pode aumentar a freqüência e magnitude dos episódios de humor em ambos os pólos, tornando o estado do paciente mais instável.

Para quem ficou curioso pra saber o que o cigarro (mais especificamente a nicotina) tem a ver com os altos e baixos do humor, a chave pode estar em dois sistemas neurotransmissores: o da acetilcolina e o das monoaminas. Este último inclui a dopamina, já famosa pelo seu papel no abuso de drogas e, mais recentemente, também nos transtornos de humor. Mas até aí, todas as drogas mexem na dopamina. O que a nicotina faz é, além disso, ativar intensamente os receptores nicotínicos de acetilcolina (assim batizados em sua homenagem); essa via medeia a liberação por todo o cérebro de vários neurotransmissores, incluindo a própria dopamina e também serotonina, GABA, noradrenalina e glutamato. Estudos recentes mostram que os receptores nicotínicos estão alterados em pacientes com transtorno bipolar e esquizofrenia.

E se tudo isso não for suficiente, o titio Serra logo, logo dará mais razões para largar o marvado (bom, eu vou fumar bem menos, hehe. Quiçá nunca mais inale a fumaça alheia!).

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Going up in smoke: Tobacco smoking is associated with worse treatment outcomes in mania. Berk M, Ng F, Wang WV, Tohen M, Lubman DI, Vieta E, Dodd S. Journal of Affective Disorders, Vol. 110, Setembro de 2008.

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